4 dicas para estudar (e aprender) idiomas

Não importa o que te disseram ou a sua idade, você também pode aprender.

Mesas em um restaurante, com uma parede cheia de relógios ao fundo, cada relógio tendo a bandeira de um país.

O início de tudo

Essa aluna era eu. Ou melhor, essa aluna era minha versão adolescente, que acreditava saber tudo e amava todas as aulas, menos as de inglês.

Não me orgulho dessa história; pelo contrário, foi uma total falta de respeito que não se repetiu e jamais recomendarei a qualquer um dos meus sobrinhos. O objetivo de contá-la neste texto é apenas mostrar o quanto eu odiava estudar Inglês.

Cinco anos depois, comecei a cursar Ciência da Computação na UFMG. Em uma de minhas primeiras aulas, de Matemática Discreta, o professor passou a bibliografia da disciplina e eu me assustei, porque a maioria dos materiais era em Inglês. Mesmo tendo estudado no CEFET, provavelmente a melhor instituição de ensino médio e técnico do estado, eu nunca tivera a oportunidade de ir além do verbo to be e present continuous. O que eu poderia fazer, então? Ainda sem condições financeiras para pagar o mais barato dos cursos de idioma, fui obrigada a aprender sozinha e, para surpresa da Cíntia de 13 anos que praticamente expulsou a professora da sala, descobri que amo idiomas.

Meu aprendizado de Inglês levou vários anos. Durante a faculdade, aprendi o suficiente para sobreviver a um curso que era difícil em todos os sentidos, especialmente para quem trabalhava do outro lado da cidade e morava ainda mais longe. Precisei de tempo para descobrir o que exatamente eu queria aprender, explorar as possibilidades, entender quais métodos funcionariam para mim.

O agora e o futuro…

Muita gente diz que quer aprender outra língua, mas acredita que não seja capaz, que é tudo muito difícil. Penso o contrário: Todos podem aprender, cada um de acordo com as suas forças e suas necessidades. Por isso, dou todo o incentivo que posso dar a quem queira começar ou já esteja nesse caminho há algum tempo.

Nos meus 16 anos produzindo conteúdo na Internet, já escrevi sobre esse tema várias vezes em meus blogs e é sempre um assunto muito procurado, que rende boas conversas. Minhas dicas não vão te tornar fluente — e eu nem sou professora e não tenho intenção de ser — mas já valerá a pena se elas te ajudarem a aprender uma palavra nova ou te incentivarem a continuar tentando.

Ok, mas onde estão as dicas?

1. Saiba o Português

Motivos para aprender bem o Português

  • Não adianta colocar “Inglês fluente” no currículo, se você estragar tudo dizendo “mim contrata” na entrevista.
  • Há vários pontos semelhantes entre idiomas, especialmente as estruturas gramaticais. Quanto mais você aprende, mais fácil aprender.
  • Aprender idiomas não é uma questão de decorar significados, mas de saber se comunicar. Quem sabe se comunicar em um idioma, terá mais facilidade para fazê-lo em outros.

É claro que ninguém vai conseguir decorar a gramática inteira e esse nem é o objetivo. Todo mundo erra, todo mundo tem dúvidas, todo mundo pode aprender. Apenas não desista.

2. Conheça as suas necessidades e defina os seus objetivos

Eu queria ser capaz de aprender todas as milhares de línguas do mundo só pelo prazer de ter esse conhecimento, mas não é assim que a vida funciona. Como seres humanos e limitados, temos muito mais chances de atingir um objetivo específico de curto prazo do que o meu desejo megalomaníaco de me transformar na própria Torre de Babel.

Quando comecei a estudar Espanhol, meu primeiro objetivo era apenas conseguir ler livros e artigos no idioma. Como o Espanhol é bastante parecido com o Português, ler foi fácil. O segundo objetivo era assistir filmes e séries sem legenda. Como a maioria das produções usa o Espanhol falado no México ou Espanha, concentrei-me nessas duas variações, e também não foi difícil, já que os atores falam com uma eloquência muito maior que a do dia-a-dia. Então, encontrei meu primeiro grande desafio. Durante um ano, trabalhei para um cliente do Chile. Quem já esteve no país deve saber que o Espanhol Chileno é considerado o mais difícil do mundo. Além de falar rapidamente, o que me parece ser uma característica da maioria dos hispanofalantes, o chileno tem muitas gírias e costuma cortar as palavras, é quase um idioma próprio. Meu objetivo passou a ser me comunicar com aquelas pessoas sobre o negócio daquela empresa. Aprendi a fazer apresentações e conversar com stakeholders sobre assuntos de companhias aéreas e vendas de passagens, aquele foi meu foco, ainda que, para isso, eu tivesse sacrificado outras áreas do conhecimento e tivesse dificuldades para conversar com o caixa do mercado em Santiago.

Escolhas. Prioridades. Foco.

3. Explore todos os recursos disponíveis

Hoje, há uma infinidade de recursos, vou listar alguns:

  • Aplicativos de tradução: Traduzir palavra por palavra não é uma boa ideia, mas esses aplicativos, podem ser úteis nem um momento de dúvida. O Google Translate, por exemplo, é mais que um dicionário, ele já consegue interpretar contextos e dá várias sugestões de traduções diferentes. Não recomendo para textos longos, mas costumo usar quando estou escrevendo em outro idioma e preciso confirmar se a frase está correta ou quando quero encontrar sinônimos para palavras que já utilizei.
  • Aplicativos e sites de idiomas: Duolingo, Memrise, Babbel etc, são várias as possibilidades. Baixe um app, teste por algum tempo, veja se o nível das lições e a usabilidade estão boas para você. Se estiverem, ótimo. Se não, há várias alternativas, gratuitas ou pagas.
  • Aulas online: Se você não encontra escolas ou professores presenciais que atendam às suas necessidades, recorra à internet. Existem professores que dão aulas através do Skype, Zoom ou outra ferramenta de comunicação.
  • Sites de notícias: Se os textos didáticos não são suficientes, mais uma vez, a internet está aí para te ajudar.
  • Séries e filmes: Faça valer sua mensalidade da Netflix! Se você está aprendendo Inglês, é fácil encontrar algo que te agrade, mas os serviços de streaming também possuem conteúdos em outros idiomas, basta procurar com atenção.
  • Podcasts: Os conteúdos em áudio estão cada vez mais populares e podem nos ajudar de várias formas. Para estudantes iniciantes, existem os podcasts voltados para ensinar os conceitos da língua; para os avançados, é ainda mais fácil, basta procurar um tema que te interesse no idioma que você quer aprender.
  • Redes sociais: Se você é ativo em alguma rede, coloque-a para trabalhar a seu favor. Troque o idioma de uso, siga perfis de professores, tente interagir com nativos, aproveite ao máximo do tempo que você já está passando ali para tornar o idioma parte da sua rotina.

Esses são apenas alguns recursos, tenho certeza que você consegue pensar em algo mais.

4. Não tenha medo

Falar é uma habilidade que só se aperfeiçoa com a prática. Observe as crianças: No início, elas só têm o choro, depois começam a fazer outros ruídos, que se transformam em sílabas, e elas juntam as sílabas. Eu não consigo entender quase nada do que os filhos pequenos das minhas amigas dizem, mas elas se comunicam com eles perfeitamente. E o objetivo de uma criança de dois anos não é conversar sobre Tecnologia comigo, é explorar o mundo deles, informar suas necessidades aos pais, conhecer as pessoas que são parte de suas vidas. O aperfeiçoamento vem depois.

Conclusão

  1. Nunca é tarde para começar. Seria melhor ter começado quando criança? Provavelmente, sim. Mas é melhor começar hoje do que esperar mais um, dois, dez anos.
  2. Um pequeno avanço ainda é melhor que ficar parado. Não desanime se o seu progresso não é tão acelerado quanto você gostaria. Não se compare com outras pessoas, compare-se com quem você era ontem. E, se você tiver que parar por um tempo, perder o ritmo, tiver que voltar, volte, recomece. Só não desista.

Tudo o que escrevi tem muito da minha experiência, que é particular e única. Certamente, essas dicas serão mais úteis se compartilhadas e acrescidas das experiências de vocês, então, não hesite em deixar sua opinião, dizer o que funciona e o que não funciona pra você. Interagindo, a gente aprende mais.

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Head de Produto na Ao Cubo. Escrevo sobre produto e agilidade, mas também sobre séries, livros e assuntos aleatórios.

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