Novembro

Sobre lembranças, brincos e panetones de chocolate

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Ei, você! Não, desculpa, não é você. Não é qualquer você. É você. Você que, todos os anos, me leva pra passar um mês inteiro na Melancolândia. Só você.

Quer um panetone? De chocolate, não gosto daquelas frutinhas esquisitas. Não, não é chocotone, porque eu acho esse nome feio. É panetone de chocolate. Diz a lenda que o termo panetone vem de pan di Toni, então, trocar o nome tira todo o charme italiano da coisa. Sim, eu sei um pouco de italiano. Bem mais do que naquela época, capisce? E aprendi outras músicas, nem gosto mais de Malia.

Mas e aí, quer ou não quer?

Você sabe que eu amo panetone de chocolate? Aposto que não. Na nossa época, eles não saltavam na minha frente toda vez que eu passasse por uma Araujo. Pergunto-me o que você ainda lembra. Se você ainda lembra. Já se foram tantos desde aquele agridoce novembro…

Lembra que eu amo amigo oculto? Panetones de chocolate e amigos ocultos são as melhores partes do fim do ano. Amigos ocultos ou Amigo ocultos? Deveríamos ter prestado mais atenção às aulas de português, em vez de ficar conversando o tempo todo. Você, querendo ficar com uma das minhas melhores amigas; eu, de olho no bad-boy da turma. Ah, como a vida é irônica, não? Lembra que a professora ficava usando nossos nomes de exemplo? E lembra que tinha uma personagem de novela com o meu nome? Aquela novela que você adorava e que tem a melhor trilha sonora de todas.

Lembra que alguém, um dia, comentou que nossos olhos tinham exatamente a mesma cor? Será que ainda têm? Acho que os meus não mudaram. Continuam sendo a parte de mim que eu mais gosto, embora hoje eu já não enxergue perfeitamente bem como antes. Sim, eu uso óculos há alguns anos. E odeio essa tal de miopia adulta. Só 1.25, mas, ainda assim… Lembra como eu costumava enxergar os ônibus antes de todo mundo? Hoje eu não tenho mais esse super poder, enxergo como qualquer outra pessoa.

Voltando ao amigo oculto, lembra que você me tirou? Ah, sim, eu sei que aquele sorteio foi armado. Mas isso não tem a menor importância agora. Nem lembro mais quem foi que eu tirei. Você lembra? Só sei que você me deu um brinco. Lembra que eu amo brincos? Sim, ainda amo. Não uso mais aquele, mas acho que ainda o tenho. Nunca me desfaço de um brinco — ou, pelo menos, não por vontade própria. Você nem sabe que hoje eu tenho três furos. Fiz o segundo aos 18. Queria ter feito antes, mas minha mãe não deixava, então achei melhor esperar. O terceiro eu fiz alguns anos depois. Brincos são minha marca registrada.

Bom, chega de falar de mim, fale um pouco de você também. Não posso me expor tanto assim, estamos em um blog e as pessoas me conhecem. Não quero ter que explicar… Então fale, para compensar aquele tempo em que só eu falava e você me ouvia, enrolando os cachos que eu já não tenho com a maior paciência do mundo.

Cena do filme De Repente 30, com Jennifer Garner e Mark Ruffalo.

Lembra?

Eu lembro.

Texto escrito em algum novembro passado, sobre outro novembro que passou há mais tempo.

Head de Produto na Ao Cubo. Escrevo sobre produto e agilidade, mas também sobre séries, livros e assuntos aleatórios.

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